Já há coisas demais que não existem, 2018
Monologue series: text, projector, microphone, speakers, video HD 12'45" stereo
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Performed at Galerie Thézé, Angers, France

[PT] Cinco monólogos, alternando narradores, questionam a violência de se colocar no lugar do outro inerente a práticas de tradução.

Monólogo I:
Narrado por um europeu, inspirado em Estácio de Sá, militar português morto por uma flecha envenenada no olho, que ao fundar a cidade do Rio de Janeiro, tomou pra si e para os futuros moradores da cidade o nome da tribo indígena que ali habitava.

Monólogo II:
Monólogo de Guaixará, escrito e declamado pelo padre jesuíta José de Anchieta em Niterói (1587), descreve os costumes imorais dos índios sob o ponto de vista do Guaixará, rei dos diabos, eu-lírico inspirado no líder Tamoio aliado dos franceses na luta contra os portugueses na guerra de fundação do Rio de Janeiro.

Monólogo III:
Narrado por um prisioneiro canibal que descreve sua derradeira vingança – citada por Montaigne como exemplo de resistência da moral selvagem.

Monólogo IV:
Discurso ameríndio destinado aos europeus. A partir do multiculturalismo e perspectivismo descritos pelo antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, o narrador compara a definição de “humano” entre as cosmologias ameríndia e européia.

Monólogo V:
Narrado por um jaguar. Apresenta a noção de pele enquanto moradia, dando sua própria definição relacional de “humano”.



Performed at CalArts, Valencia, USA

[EN] Five monologues, switching narrators, question the violence of putting oneself in others shoes, present in translation practices.

Monologue I:
Narrated by an European, inspired by Estácio de Sá, Portuguese soldier who died with a poison arrow in the eyeball and that after founding Rio de Janeiro city took for himself and for the future inhabitants of the city the name of the indigenous tribe that used to live there.

Monologue II:
Guaixará’s monologue, written and read by the Jesuit priest José de Anchieta in Niterói (1587), it describes the immoral habits of the indians under the perspective of Guaixará, king of the devils, character inspired by the Tamoio chief, ally of the Frenchmen in the dispute against the Portuguese army in war of Rio de Janeiro’s foundation.

Monologue III:
Narrated by a cannibal prisoner that describes his last revenge – quoted by Montaigne as an example of the resistance of savage’s morality.

Monologue IV:
Amerindian discourse for the Europeans. Based on the multiculturalism and perspectivism notions described by the anthropologist Eduardo Viveiros de Castro, the narrator compares the definition of “human” between Amerindian and European cosmologies.

Monologue V:
Narrated by a jaguar. It presents the notion of skin whereas dwelling, giving its own relational definition of “human”.